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O CENTENÁRIO DO PROFESSOR ODILON NOGUEIRA DE MATOS (1916-2016)


PROFESSOR ODILON NOGUEIRA DE MATOS 
(5-5-1916)- (17-2-2008)






PROFESSOR ODILON NOGUEIRA DE MATOS 
(5-5-1916)- (17-2-2008)






Em 1968, eu estava iniciando o contato com o mundo infinito da música clássica. Já havia adquirido o livro escrito por Otto Maria Carpeaux " Uma nova história da música", que passara a ser a minha referência nesse universo muito amplo. Inscrevi-me nesse ano num curso de extensão sobre a história da música no Brasil, que seria dado pelo professor Odilon, à noite, no prédio de História. Esse foi nosso primeiro contato. Passados alguns meses, na Loja Bluno Blois (24 de Maio) que, juntamente com a Breno Rossi (Barão de Itapetininga), era um dos paraísos dos amantes da música clássica, encontrei no subsolo o professor Odilon, em busca de novidades fonográficos. Timidamente o abordei, rememorando o curso que fizera com ele. Iniciamos assim um papoque finalizou com ele me dizendo: "Vejo que você gosta muito de música. Em minha casa, reúno aos sábados alguns amigos para uma audição musical. Você não gostaria de participar?" Ainda meio tonto com o que ouvira disse-lhe que seria um prazer. Nessa mesma semana, dirigi-me à aconchegante casa onde o professor morava com sua esposa Nerina Lourdes Ramos Nogueira de Matos. Lembro-me de meu espanto quando deparei com a imensa coleção de long-play do professor que lotava as quatro paredes de seu escritório. "Que mundo!, pensei" Fui muito bem recebido pelos amigos e amigas do casal que frequentavam as reuniões. Recordo-me com saudades de meu professor de História da América, Raul de Andrada e Silva e sua esposa e da contralto Mariângela Rea, que eram os mais habituais. Lourdes e Odilon não tinham filhos, de modo que eu, nos meus iniciantes vinte anos, fui acolhido como tal. Devo ao professor Odilon, toda a minha formação nesse gênero. Ele possuía também uma vasta coleção de livros sobre música que, gentilmente, pôs à minha disposição. Nossa convivência durou até a partida em 2008. Mesmo quando eles se mudaram para Campinas, eu ia para lá com frequência passar o dia ouvindo música e conversando a respeito. Nessa ocasião, tendo o professor Odilon sido eleito para a Academia Paulista de Letras, alugou um apartamento no prédio que eu morava em Santa Cecília, onde ele e a esposa ficavam, quando vinha para as reuniões da Academia. Nessa ocasião, estavam entrando no mercado paulista os novos discos CD. Eu, já tendo adquirido os primeiros, convidei o professor a meu apartamento para ouvirmos uma Cantata de Bach, um dos nossos compositores preferidos. Coloquei o disco, era a Cantata BWV 8 - Liebster Gott, wenn werd ich sterben? - "Querido Deus, quando morrerei?". Tenho até hoje na memória a expressão do professor ouvindo aquele som límpido. Pois bem, mesmo já tendo uma vastíssima discoteca, ele tornou-se um consumidor de CDs. Quando surgiram as gravações em vídeo, eu as conseguia em São Paulo e as levava para Campinas, onde todo domingo ele passou a assistir uma ópera. Seus músicos preferidos eram Bach e Mozart. De profissão luterana, ela ouvia todo domingo a cantata de domingo correspondente aquele dia da semana. Diariamente, ouvia uma peça de Mozart. Dona Lurdes partiu antes e deixou muitas saudades. Essas são apenas algumas doces lembranças desse ser humano do qual tenho muitas saudades - o meu pai musical, a quem homenageio pelo seu centenário.

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